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| 19
de setembro |
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| 18h40min
- Pajé Pataxó reza na arena
17h50min - “Treinei para isso”,
diz vencedora da Corrida de Velocidade
16h12min - Aprovadas as normas para concessão
do GDATA
16h10min - “índio, posso tocar
em você?”
12h35min - Morre na aldeia esposa de índio
que está nos Jogos
12h08min - Federação Indígena
dá assistência a comunidades na Amazônia
11h30min - Paresi mostram como confeccionam
a bola do futebol de cabeça
10h40min - Índias Bororo são
tri-campeãs no futebol
09h45min - Grávidas participam das
Competições
09h41min - Etnias indígenas do Amazonas
buscam autonomia por meio da venda de artesanatos |
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| Etnias
indígenas do Amazonas buscam autonomia por meio da venda de artesanatos
- 09h41min
A Associação de Produção
e Cultura Indígena Yakino, criada há pouco mais de seis
meses, vem desenvolvendo, no mercado brasileiro e no exterior, trabalhos
de valorização dos artesanatos de 31 etnias indígenas
do Amazonas. Vice-diretor da Yakino, o índio Ismael Tariána
salienta que a Associação tem estimulado as comunidades
indígenas a vender e utilizar seus artesanatos. Segundo ele, a
venda dos artesanatos é uma iniciativa que busca alternativas econômicas
para garantir a autonomia das comunidades indígenas.
A Associação é um projeto da Coordenação
das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira
(Coiab), e conta com o apoio da Fundação Ford. Por enquanto,
a Yakino tem divulgado e comercializado os artesanatos indígenas
em exposições, inclusive internacionais. Na última
semana, participou da 1ª Feira Internacional da Amazônia com
artesanatos das etnias Sateré e Tikuna, entre outras. Os trabalhos
da Yakino foram expostos também no Museu Britânico, e há
previsão de que sejam levados para a Itália, Alemanha e
Holanda. (Vanessa Silva)
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| Grávidas
participam das Competições – 09h45min
Pelo menos três mulheres grávidas estão participando
das competições dos V Jogos dos Povos Indígenas.
São elas: Ana Terra Yawalapití, Tibairu Karajá e
Maria Claudine Hrahô.
Ana Terra tem 18 anos, está gravida de três meses e é
uma das finalistas da prova de Corrida de Velocidade. Casada com Yanamã
Kuikuro, ela diz que só se sente cansada e mais lenta. “Estou
engordando e pode ser que por isso eu não consiga correr tanto
na final.” Ana participou também da apresentação
da luta Huka-Huka que as mulheres xinguanas fizeram na arena. Ela enfrentou
a irmã, Takã, uma lutadora respeitada na aldeia. “Tem
que ser forte, pegar atrás da perna, derrubar no chão ou
carregar.”
Maria Claudine Krahô tem 20 anos e está grávida de
seu terceiro filho. Ela integrou a equipe de apresentação
da Corrida com Toras, quando carregou 80 Kg, e faz parte do time de futebol
como ponta esquerda. “Ela é a melhor da aldeia no futebol”,
contou Derlindo Krahô, técnico da equipe de futebol feminino
da tribo. Tibairu Karajá, 21 anos, também é jogadora
de futebol e está grávida de dois meses. (Maria Luiza Silveira) |
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Índias
Bororo são tri-campeãs no futebol – 10h40min
Elas dançaram na Vila Olímpica gritando “tri-campeãs”.
As mulheres Bororo (MT) venceram as Kaiwá por 3 X 0 na final do
futebol feminino. A vitória teve um sabor especial para a equipe,
que saiu da aldeia desacreditada. “As melhores jogadoras não
vieram e elas não confiavam que a gente pudesse ganhar”,
contou a lateral esquerda Taís Mariza Kogetaru. “Elas vão
ficar surpresas”, vibrava a atacante Janaína Iwarare Ekureudo.
“Só não ganhamos de goleada porque as jogadoras que
estão aqui são as mais fracas da aldeia. Para Janaína
o maior desafio foi passar pelo time da índias Gavião. “Foi
a equipe mais difícil que pegamos pegou porque elas são
muito boas.”
As Bororo adoram futebol e costumam jogar todos os finais de semana. A
atacante Janaína é torcedora do Grêmio e Ronaldinho
Gaúcho é o seu jogador preferido. Taís torce pelo
Coríntians e gosta de “Ronaldinho, o Fenômeno.”
As Xavantes, também favoritas, disputaram o terceiro lugar com
as Kakairi. E ganharam. (Maria Luiza Silveira) |
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| Paresi
mostram como confeccionam a bola do futebol de cabeça –
11h30min
Os Paresi fizeram uma demonstração
de como confeccionam a bola com que jogam o famoso Xikunahity –
espécie de futebol em que o chute só pode ser dado com a
cabeça. “A gente usa a mão só para pegar a
bola quando ela cai”, conta Amarildo Onizokiece.
Na porta da maloca, os Paresi dançaram e cantaram em torno de uma
mesa com uma panela. Depois, espalharam na mesa duas tiras de leite de
mangaba. O Paresi Arnaldo Zunizakae explicou que cada tira recebe de três
a quatro camadas do leite. Enquanto esperam secar, esquentam um pouco
do leite numa frigideira quente – enrolado, fazem uma pequena bola
que vai ser assoprada para formar uma bexiga, em torno da qual vão
enrolar as tiras. São necessários 200 a 250 ml de leite
de mangaba para confeccionar a bola, que fica pronta em meia hora, dura
três a quatro meses e pesa em torno de 200 gramas. O Xikunahity
é jogado só por homens. Amarildo conta que as mulheres praticam
o Tirimore – um futebol jogado com duas bolas retiradas da árvore
da marmelada. Na tarde hoje Paresi e Enawenê Nawê –
únicas etnias que jogam o futebol de cabeça – vão
mostrar ao público uma partida do Xikunahity. (Maria Luiza Silveira)
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| Federação
Indígena dá assistência a comunidades na Amazônia
- 12h08min
A Federação das Organizações
Indígenas do Rio Negro (FOIRN) divulgou relatório sobre
o os últimos seis meses de atendimento à saúde nas
comunidades indígenas das regiões de Waupés, Papuri,
Tiquié e Içana no Amazonas. O documento mostra como aplicaram
de mais de quatro milhões
repassados à federação para a saúde indígena.
A FOIRN é responsável pelo Distrito Sanitário Especial
Indígena do Rio Negro (DSEI/RN), que atende aproximadamente 14
mil índios, com serviços clínico geral, odontológico,
imunização, educação em saúde, capacitação
e supervisão dos agentes indígenas de saúde, controle
de tuberculose, tracoma, verminoses, saúde materno-infantil e controle
de doenças crônico degenerativas.
Segundo o relatório, as doenças mais comuns na região
têm sido distúrbios digestivos, doenças respiratórias
e dermatológicas. O relatório aponta também que em
seis meses nasceram 135 crianças. Duzentos profissionais de nível
médio e superior, sendo 90 por cento indígenas, são
contratados para trabalhar na saúde indígena A coordenadora
técnica do DSEI/RN, Yéssica Milagros afirmou que "a
assistência nas comunidades indígenas, feita pelos profissionais
de saúde da FOIRN, tem consolidado o objetivo básico e dado
garantia da assistência diferenciada".
Na avaliação do relatório, os conselheiros indígenas
aprovaram os trabalhos executados pelas equipes contratadas, porém
recomendaram a ampliação e reforma de pólos-bases,
como por exemplo, no Rio Waupés e a capacitação e
formação de agentes indígenas de saúde. (Simone
Cavalcante)
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Morre
na aldeia esposa de índio que está nos Jogos –
12h35min
Xitana Kaiowá está sozinho e triste em sua rede. Na maloca
ao lado o velho índio Kanela, Ugo, canta um lamento. Xitana recebeu
na manhã de hoje a notícia do falecimento de sua esposa,
que ficou na aldeia adoentada. Xitana chorou muito. “Eu nunca esperava
acontecer isso. Ela estava melhor e disse que eu podia vir tranqüilo.”
Zenir Azola tinha 26 anos e deixa um filho de três anos.
Professor da escola da aldeia, onde dá aulas na língua kaiowá,
a participação de Xitana nos Jogos tem função
importante para as crianças da tribo. Ele sempre traz uma pequena
máquina fotográfica e transforma tudo o que viu em matéria
de sala de aula.
“É muito difícil para porque há dois anos eu
perdi um filho. Cheguei até a pensar besteira mas o povo Kaiowá
precisa de assistência e diálogo e eu me preocupo muito com
eles.” Os Kaiowá (MS) ficaram conhecidos no Brasil pelos
casos de suicídio coletivo e Xiatana já chorou muito vendo
vários amigos enforcados. O No final da tarde os Kaiwá se
reuniram em torno de Xitana e cantaram por mais de uma hora. “Pedimos
paz e conforto para o coração dele”, disse Jessel
kaiwá. “Com isso nós mostramos a união do grupo
na hora em que ele precisou de nós.”
Xitana voltará para sua aldeia amanhã (20) pela manhã
em companhia de outro índio Kaiowá. Além dos Kaiowá,
também estão de luto os Hikbatsa, que souberam da notícia
da morte de um parente quando estavam à caminho do Município
de Marapim (PA), sede dos Jogos, e os Krahô que perdeu um guerreiro
na aldeia. (Maria Luiza Silveira) |
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“índio,
posso tocar em você?” – 16h10min
Uma
criança que não tem mais de 5 anos olha para cima e diz
para o índio Kanela que está ao seu lado: “Índio,
posso tocar em você?” Sorrindo o jovem Kanela afaga a cabeça
da menina e diz, “Pode”.
“Uma oportunidade única”, como definiu o Presidente
da FUNAI, Artur Nobre Mendes. Os V Jogos dos Povos Indígenas possibilita
a aproximação de índios e não-índios.
Homens, mulheres e crianças que lotam as arquibancadas se mostram
fascinados com os ritos que são apresentados, a proximidade e as
trocam de conhecimento que estão estabelecendo com os povos.
Na tarde de ontem, José Edinaldo Naiff, profissional liberal da
região de Marapanim, se dizia deslumbrado com a profusão
de cores, a estética e o ritmo dos Kayapó. “É
a primeira vez que vejo índios tão de perto na minha vida”,
afirmou. “Nós temos que dá valor e tirar o chapéu.
Só eles seriam capazes de fazer algo como o que está acontecendo
aqui. O Brasil ainda precisa aprender muito com os índios.”
(Maria Luiza Silveira)
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Aprovadas
as normas para concessão do GDATA - 16h12min
O presidente da Funai, Artur Nobre Mendes, aprovou hoje as normas que
regulamentam a Gratificação de Desempenho de Atividade Técnico–Administrativa
(GDATA), devida aos servidores ocupantes de cargos efetivos, que se encontram
em exercício na fundação. O objetivo da gratificação
é incentivar a melhoria da qualidade e da produtividade nas ações
da Funai.
O valor da
gratificação, a ser concedida mensalmente, dependerá
do resultado das avaliações de desempenho da fundação
e do servidor. De acordo com a portaria nº 937, que estabelece as
normas reguladoras da GDATA, as avaliações serão
feitas a cada seis meses. |
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| “Treinei
para isso”, diz vencedora da Corrida de Velocidade –
17h50min
Claudinha Gavião Kykatêjê
não se surpreendeu com a vitória na Corrida de Velocidade.
“Já estava esperando. Eu treinei para isso”, afirmou
a atleta. O treinamento de Claudinha consistiu em corridas na Praia do
Tucanaré, em Marcabá – a 35 km da aldeia Kykatêjê
Amtáti onde vive – e dentro da floresta, pegando toras de
50 a 60 kg. “Sempre vamos pegar toras longe, a uns 20 km da aldeia.
Eu voltava correndo e fazia disso um treinamento para fortalecer as pernas”,
conta Claudinha Kyikatêjê. Todas as semanas Claudinha percorria
várias vezes os 2 km da Praia do Tucanaré, na água
e na areia. O local foi escolhido por ela e pelo técnico Tchucore
devido a semelhança das condições com a região
onde ocorreriam esses V Jogos.
“Parabéns, Claudinha, você passou que nem uma bala”,
comemorava Eimar Araújo, Administrador Regional da FUNAI em Marabá.
Sorridente Claudinha abraçou o administrador e contou que os Gavião
ficaram muito felizes. “Alguma coisa a gente tem que levar porque
ficamos em segundo no Cabo de Guerra e perdemos no Futebol, onde éramos
favoritas.”
Em segundo lugar na Corrida de Velocidade ficou Adenise Xerente. e em
terceiro Lidiane Bororo.
Entre os homens, o Kadiwéu Joel Pires foi o grande vencedor, seguido
por Relton Bakairi em segundo e Lenivaldo Xerente em terceiro. (Maria
Luiza Silveira)
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| Pajé
Pataxó reza na arena – 18h40min
Os Pataxó pediram silêncio
e surpreenderam o público quando o pajé, Itambé acendeu
seu cachimbo e, segurando uma tijela com brasa e cera armesca, incensou
a arena e iniciou uma reza para fortalecer a todos os presentes. Dentro
de um grande círculo formado pelos índios, Itambé
podia ser visto em meio a muita fumaça. Depois eles apresentaram
o rito Komugere Komugera, que celebra a vitória.
Encerrando a programação cultural deste sexto dia de Jogos,
os Pataxó fizeram uma grande roda com o público. Flechas,
cocares e maracás foram parar nas mãos dos brancos que,
entusiasmados, dançavam e cantavam junto com os índios.
“Rezei para que os Pataxó e os não-Pataxó ficassem
livres de todos os males”, afirmou Itambé. (Maria Luiza Silveira)
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