19 de setembro

 

17h47min - Caciques indígenas Kuikuro contribuem para pesquisa no Xingu
16h52min - Aldeia Kuikuro encerra festa no Alto Xingu
13h32min - Deputados encerram seminário com muito otimismo
13h35min - Associação Indígena assina convênio com a Funasa

 

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Associação Indígena assina convênio com a Funasa - 13h35min

A Associação Indígena Halitina, criada pelos índios Paresi, em Tangará da Serra (MT) assinou um convênio com a Funasa (DISEI de Cuiabá/MT) para o atendimento da saúde em 32 aldeias, onde habitam cerca de 1.500 pessoas. Pelo convênio, os recursos repassados a cada trimestre permitirão a contratação de 02 médicos, 03 enfermeiros e 23 agentes de saúde indígena. Segundo
administrador da Funai em Tangará da Serra, Daniel Cabixi, o projeto da Associação Halitina para a saúde indígena dos Pareci tem tudo para dar certo, pois foi preparado em parceria com técnicos da Funasa e indígenas capacitados para atuar na área da saúde. “A Associação é formada por índios e não-índios preparados para coordenar as ações da saúde na comunidade Paresi”, concluiu o administrador da Funai.

 
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Deputados encerram seminário com muito otimismo - 13h42min

O último dia do Seminário de Ações Governamentais para os Povos Indígenas da Amazônia na Câmara dos Deputados foi de muita discussão sobre os processos que tramitam no Senado e na Câmara a respeito da causa indígena.

Um relatório com os principais processos foi elaborado e comentado pelo consultor Legislativo da Câmara dos Deputados, Júlio Gaiger. O consultor falou sobre o projeto proposto pelo senador Mozarildo Cavalcanti, de reduzir as demarcações de terras indígenas no Brasil: “Em 12 anos de trabalho na Câmara nunca vi nenhum projeto dessa natureza ser aprovado”, afirmou. Esta notícia deixou os índios bastante animados.

A deputada Janete Capiberibe (PSB/ AP) também entusiasmou os índios ao dizer que, no último 18 de junho, fez um requerimento de urgência para votar a apreciação do Estatuto do Índio, que tramita na Câmara há 12 anos. Janete está disposta a mobilizar os deputados para votar o estatuto depois da reforma tributária. “Serão513 deputados para votar. Não será fácil, mas nós estamos aqui porque temos compromisso com os índios”, avaliou Janete.

O deputado e coordenador Legislativo da Frente Parlamentar dos Povos Indígenas, Edson Duarte (PV/BA), se propôs a fazer uma discussão política, e criticou duramente o Senado, “Eu não vejo o senado realizar ações pontuais pelos povos indígenas. Por que demoram tanto para votar as propostas que tratam da questão indígena? Temos que mobilizar o Congresso Nacional para votar o Estatuto do Índio”, cobrou Edson Duarte, que chamou o Congresso de conservador por dificultar as questões indígenas.

Duarte destacou, ainda, que se deve criar uma política indígena nacional, e não ações isoladas como acontece hoje. O deputado falou que todos devem se mobilizar órgãos governamentais e não-governamentais para fortalecer a Funai. “Inclusive os governos estaduais e municipais omissos, que não defendem os direitos dos índios”.

Ele citou o caso dos índios Pataxó Há-Há-Hãe do sul da Bahia, que há mais de vinte anos lutam pelas terras invadidas por fazendeiros e não conseguem um parecer favorável na Justiça. Enquanto isso, os Pataxó vivem sob constante ameaça e sofrem várias violências. “Ninguém faz nada”, reclamou. O deputado fez denúncias sérias de que secretários do governo possuem terras dentro da área dos índios Pataxó, e por isso as coisas não mudam.

Edson encerrou o discurso convocando todos os presentes a lutarem pela causa indígena. Para Perpétua Almeida, o seminário teve saldo bastante positivo, e certamente contribuirá para uma maior conscientização sobre a importância do respeito aos povos indígenas e aos direitos destes que são os primeiros habitantes do Brasil. (Ana Paula de Souza)

 
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Aldeia Kuikuro encerra festa no Alto Xingu - 16h52min

Uma das mais belas festas da cultura xinguana, o Tolo, na língua Karib, foi realizada no último domingo e segunda-feira (14 e 15), na aldeia Ipatse, maior aldeia Kuikuro, onde habitam 319 dos cerca de 400 Kuikuro. As mulheres indígenas são as protagonistas da festa, que tem uma dança compassada e cantos que contam histórias de amor dos antepassados. Pela tradição, a festa tem um dono que se responsabiliza pela organização de todas as etapas que antecedem o ápice da festa, quando as convidadas de outras aldeias chegam para integrar a festa e lutar o Huka Huka. As mulheres Kuikuro começaram a dançar desde o dia 03 de setembro.

O Tolo realizado este mês na aldeia Kuikuro teve como dono da festa o índio Aunu, que enviou as coordenadoras da festa para fazer, pessoalmente, o convite nas aldeias Kamayurá, Kalapalo e Yawalapiti. Sob a responsabilidade de Aunu também estava a alimentação dos convidados e das mulheres Kuikuro, que deixam suas atividades para dançarem períodos longos da manhã, da tarde e da noite, entrando pela madrugada, numa demonstração de ritmo perfeita aliados a belos cantos de amor. Aunu e um grupo de homens Kuikuro passaram mais de uma semana acampados às margens da lagoa Tahununo, local onde habitaram seus antepassados e excelente pesqueiro. Lá pescaram mais de 1500 peixes (tucunaré, pacu, pirarara, pintado, cachorro, entre outros), que foram moqueados (defumados) e distribuídos entre os presentes à festa. Junto com o peixe, foram oferecidos o biju, mingau de mandioca e pequi.

A festa foi registrada por jovens Kuikuro, integrantes da Associação Indígena Kuikuro (AIKAX), que filmaram diversos dias. Os jovens Kuikuro estão recebendo aulas de vídeo e edição pelo projeto "Vídeo nas Aldeias", de Vicent Carelli, com sede em Recife (PE).

 
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Caciques indígenas Kuikuro contribuem para pesquisa no Xingu - 17h47min

Estudo publicado hoje pela revista americana Science revela que a região do Alto do Xingu já abrigou aldeias com mais de 2500 índios, estradas de até 5 Km de extensão, pontes e grandes estruturas de saneamento há mais de 500 anos. Segundo o estudo, todas as aldeias possuíam uma praça central e, nos arredores, era comum o cultivo de frutas e, principalmente, de mandioca. Dois
chefes Kuikuros, Afukaka Kuikuro e Urissapá Tabata Kuikuro, ajudaram na localização de sítios no mapeamento de estradas. O arqueólogo Michael Heckenberger, da Universidade da Flórida, passou dois anos com índios Xinguanos para realizar o estudo. Ele chama a atenção para a complexidade das obras, que implicam em conhecimentos avançados em engenharia e matemática.

Contrariando a visão de que a Amazônia era um local intocado, foi provado na pesquisa que a grande sociedade que habitou a região Amazônica entre os séculos 13 e 17 alterou significativamente a vegetação da área "Muita gente pensa na Amazônia como uma floresta virgem, mas muitas partes são fruto de uma interação entre fatores naturais e atividades humanas," diz o antropólogo Carlos Furtado do Museu Nacional da Universidade do Rio de Janeiro, que participou do projeto. A pesquisa também contou com a ajuda de dois chefes indígenas Kuikuro, da antropóloga Bruna Franchetto (trabalha há 30 anos com os Kuikuro) e lingüistas, que também a assinaram. (Leilane Alves)

 
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